INSUFICIÊNCIA CARDIACA: A EPIDEMIA DO SÉCULO XXI
A insuficiência cardíaca (IC) não é uma doença específica, mas um síndrome que engloba sinais como cansaço fácil, dispneia/falta de ar, e sintomas como os pés inchados/edemas que são consequência de alterações na estrutura e na forma do coração que levam a que este não consiga bombear o sangue na quantidade necessária para as necessidades do organismo. É uma situação clínica comum, principalmente nas pessoas com mais de 60 anos e que atinge cerca de 770.000 portugueses, segundo estudo recente. Pode a IC apresentar um quadro clínico agudo, crónico, ou avançado quando não responde à terapêutica. É uma situação clínica grave e se não for tratada, em pouco tempo, provoca a hospitalização e a morte dos doentes. Quando uma pessoa apresenta falta de ar, pés inchados, um cansaço superior ao habitual para as tarefas diárias deve, rapidamente, procurar o médico assistente para avaliar o diagnóstico de IC através de análises e exames adequados como o eletrocardiograma e o ecocardiograma doppler. Se tiver diabetes, hipertensão arterial ou obesidade, o risco é maior e estas patologias devem ser tratadas intensivamente. Após a avaliação inicial é geralmente necessária uma consulta de cardiologia que avaliará a importância de outras exames como a coronariografia, ou a necessidade de cirurgia cardíaca ou de implantação de desfibrilhador cardíaco. Este doente com IC vai necessitar de terapêutica adequada conforme a função ventricular esquerda esteja diminuída ou preservada; também deve ter uma vigilância clínica constante, de preferência por uma equipa multidisciplinar englobando médicos, enfermeiros, nutricionistas e fisioterapeutas, podendo estabelecer um programa de reabilitação cardíaca. Se por qualquer razão, como uma infeção, o paciente tiver um agravamento clínico, com uma descompensação cardíaca, deve ser imediatamente avaliado e tratado. Além do tratamento médico o doente deve implementar um estilo de vida saudável, evitar o tabaco, o álcool e o sedentarismo, e deve aprender a obter o seu peso, a avaliar o pressão arterial e a frequência cardíaca, e a tomar corretamente a medicação.
Em conclusão, os doentes com insuficiência cardíaca devem ter um diagnóstico rápido, o tratamento deve começar o mais cedo possível, havendo hoje medicamentos e dispositivos médicos muito eficazes para reduzir a hospitalização e a morte, reduzindo as consequências nefastas desta epidemia do século XXI.




